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Aspectos Rurais

Ázere faz parte de uma região de serranias e bouças frondosas. Além das serras de menor porte, como são as do Picoto e Vale da Pela, que comparadas às outras não passam de pouco mais de montículos, cheiramos os ares de grandes serras: Estrela, Caramulo, Buçaco, além das que nos são mais perto como a Serra do Açor e o monte onde está implantado o Santuário de Monte Alto em Arganil.

É a razão dos seus ares serem dos mais puros e o clima ameno. Apetece mesmo, em época de férias, dar uma extrema volta pelos seus prados, sorvendo com avidez aquele ar magnífico.

Passada a época da canícula, a água límpida das suas ribeiras, regatos e do Rio Mondego, fica-se pelo fundo dos lameiros a que se chamam ínsuas. Os campos reverdejem e tornam-se mais belos.

Na época das vindimas, quem passar perto das velhas casas agrícolas, sente por vezes, vir do seu interior um cheiro inesquecível “os mostos”. São os lagares e as grandes dornas que servem.

Anda-se pelos soitos, a farejar as primeiras castanhas.

Pelos caminhos tortuosos e agrestes, circulavam, em tempos, os típicos carros de bois, carregados de erva, lenha e mato, que serviam para alimento do vivo, para a lareira, e para a cama dos animais.

Ao findar da tarde, os melros assobiavam nos silvados ferindo os ares com seus avisos metálicos. As raparigas regressavam em grandes ranchos, cantando, depois de terminada a sacha do milho ou a mondagem do trigo e do centeio. À noite, pelo negrume dos campos, rebrilhavam fogueiras, ouviam-se gargalhadas e alguns acordes de um harmónio.

Depois de arrumadas as ferramentas, ouvia-se o toque das Trindades ou Ave Marias, e todos se recolhiam em fervorosa oração.

No final, formavam-se grandes ranchos e aí iam elas até à fonte buscar cântaros de água para fazerem a ceia. Os rapazes postados nos muros, atiravam madrigais inofensivos e por vezes uma cantiga, tal como esta:

 

Ai! Eu por ti suspiro
Ai! Eu por ti dou ais
Ai! Eu por ti amor…
Já não choro mais!

 

Ou, então esta:

Quem me dera, dera, dera
O que agora me estou a lembrar
Beijos até morrer
Abraços até acabar…

 

 

Por volta das 22 horas, ouvia-se o toque das almas. Eram horas de fazer as orações pelos que se foram, e ir descansar um pouco porque o dia seguinte seria dia de trabalho.

O proprietário rural, canseiroso e poupado, entrega-se com afinco ao cultivo da terra que, ou é sua ou arrendada, tratando de arrancar dela o melhor fruto do seu trabalho. Tem por lema “não guardar que fazer, mas guardar que comer”. Ora cuida do pão, ora do vinho. Entra no campo com a sua junta de bois. Sulfata, monda, sacha, sulfata de novo. Na hora da canícula, bebe uma enfusa de vinho ou água-pé. Rega o campo de milho alto, vindima e colhe o grão. Limpa os currais, estruma, roça o mato, planta a horta de couves e na quadra de S. Martinho, mata o porco e prova o vinho.

Por vezes, quando o ano é bom, vão as espigas para a laje, onde são desfolhadas e malhadas.

O pão é amassado em recipientes chamados gamelas, levedado e cozido em forno (de lenha) bem quente.

Os típicos carros de bois usados em Ázere, eram puxados por uma ou duas juntas de bois, conforme a carga que transportava. Eram compostos por um estrado, com um varal ao meio, furos para introdução de uns paus, a que chamavam fueiros, que protegiam as cargas, eixo de madeira bem ensebado, rodas também me madeira, com aberturas mais ou menos ovais e forradas com aros de ferro.

No andamento, faziam uma chiadeira de tal ordem, que se podia comparar a uma melopeia de tristeza. Os bois tinham um jugo a que se chama “canga”, com certo feitio artístico, de modo a assentar bem sobre o pescoço dos animais, com argolas afim de prender os arreios.

Tinha fama o vinho produzido em Ázere. Uma bebida apetitosa, cor de rubi, com uma graduação de 11 ou 12 graus e faz parte da região demarcada do Dão. Era agradável de beber e como bebida de mesa era uma das melhores da região.

A horta, que quase todos os proprietários rurais cultivam, muitos mesmo junto à casa onde residem, tem a sua ciência na preparação. Aí se plantam couves, cebolas, alhos, cenouras, espinafres, etc., havendo o cuidado de fazer a rotação dos talhões para não cansarem. Claro que são necessários cuidados para que as culturas cresçam e dêem fruto, tais como: sachar, mondar, regar, etc.

Também em Ázere se produzia bom mel e normalmente as colmeias eram de cortiça. Enquanto se não descobriram as colmeias móveis, eram os cortiços que albergavam os enxames de abelhas, muitas vezes colhidos nas serras onde houvesse silvedos. Havia em Ázere quem fosse autêntico perito nessa colheita ou captura. Hoje está provado que o cortiço é prejudicial, pois com os anos apodrece, cria toda a espécie de bicharada, em especial a traça e pode haver o perigo de ser atacado pelas formigas, rapidamente destrói um enxame. Naturalmente que agora se usam as colmeias móveis, com a vantagem de se poderem tirar os favos e voltar a colocá-los depois de limpos, sem incomodar as abelhas e com facilidade se consegue evitar a saída dos enxames novos ou arranjá-los no momento em que mais nos aprouver, quando desejamos povoar outras colmeias e com todos estes cuidados se obtinha excelente mel.

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